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leituras



Sábado, 20.12.03

Os Dias de Amanhã

de Victor Cunha Rego, 1999.

Contexto e Círculo de Leitores


Aqui está um livro que recomendo vivamente. Uma colectânea de textos escritos por Victor Cunha Rego e publicados diariamente no Diário de Notícias, ao longo de mais de seis anos.

Durante muitos anos fui leitor assíduo do jornal Diário de Notícias. Sou aliás um consumidor quase compulsivo da imprensa que considero ser de qualidade. Com os meus alunos adultos sempre travei uma luta quase titânica contra a ausência de hábitos de leitura cuidada e criteriosa da imprensa escrita.

Uma das “coisas” que me levava a ler, quase religiosamente, o DN eram as pequenas crónicas de Victor Cunha Rego, de segunda a sexta, na última página do jornal. Nessas crónicas o autor, como que pensando em voz alta, leva-nos a reflectir e assim analisar o mundo que nos rodeia, de uma forma livre dos maniqueísmos da pequena política. Ao reler muitas dessas crónicas, encontrei nelas leituras do mundo e da sociedade quase proféticas. Hoje estou, cada vez mais, convencido que Victor Cunha Rego era um homem bem à frente do seu tempo.

Felizmente que em 1999, ainda antes da sua morte, o convenceram a seleccionar alguns desses textos para dar origem a um espantoso livro com o título: “OS DIAS DE AMANHÔ. Como ele afirma, na introdução, fê-lo “Porque não abdicamos das revoltas relativas. Cépticos sim. Indiferentes não.1 Numa das últimas crónicas publicadas e incluídas neste livro, revela toda a sua perplexidade perante um mundo orgulhosamente indiferente, adolescente e que quase abdica da inteligência. “Nesse campo não escondi achar que as nossas dores são demasiado tímidas. As dores, os medos, as espontaneidades, os amores, os ódios são demasiado tímidos. Trocamos a ousadia pelo entretenimento. Pensamos pouco, mergulhamos em tarefas neuróticas e só queremos como compensação divertirmo-nos o máximo possível. Divertimo-nos em vez de vivermos. Dilapidamos a inteligência e cortejamos a tolice. Mantemo-nos na periferia de nós próprios, recusando o mistério que se desenrola na alma.2

Vale a pena gastar algum tempo a pensar. Esse é o desafio do autor.

 1 Victor Cunha Rego «Os Dias De Amanhã» - Círculo de Leitores (2000) - Introdução

 2 Victor Cunha Rego «Os Dias De Amanhã» - Círculo de Leitores (2000) - p.332

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por M Bento às 22:03



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